A primeira vez que ouvi Chico e Caetano juntos e ao vivo foi no Verão de '73.
Estava um dua abrasador, dqueles que surgem às vezes em Setembro e que nos cola a roupa ao corpo.
Lembro-me do Chico a cantar "... quando olhaste bem nos olhos meus
e oteu olhar era de adeus
juro que não acreditei..."
em casa da Teresa Macedo em Lisboa. Ela nessa altura vivia numa mansarda, ali para os lados da Av. de Roma, não sei bem onde. Só sei que aquele sotão naquele dia de calor repentino em Setembro parecia um forno! Enquanto a teresa tomava um duche, perguntei-lhe se podia pôr um pouco de patchouli que ela tinha para lá num frasquinho. E pus. A ouvir o Chico e o Caetano "Navegar é preciso, viver não é preciso..." a suar em bica. Adorei o disco. Quando saímos,prometi-me que o iria comprar logo que pudesse. Estávamos nós na Avenida. apareceu um amigo da Teresa. Estava pálido, como se não tivesse dormido (e não me lembro de todo quem era). Disse-nos. com os olhos muito abertos de quem não consegue acreditar "O Allende morreu! Mataram o Allende!". Ficámos de pedra, sem dizer nada, sem procurar saber mais. Lembro-me que fomos jantar os 3 ao "Velha Goa", que pedi um caril de camarão "...mas suave, por favor...", e bebemos um Piriquita tinto, bebinca... Depois a Teresa, que quase bebera o Piriquita sózinha. pediu café e Carvalho & Ferreira gelada. Quando o empregado trouxe a garrafa, pediu que a deixasse na mesa, e continuou a beber, copinho atrás de copinho, acompanhada pelo amigo. E começaram a escorrer-lhe lágrimas pela cara abaixo, e eu que nunca aguentei bem o álcool, acabei por me ir embora sózinha, deixando-os a beber, e ainda a pensar, incrédula "Mataram o Allende!"
Quando cheguei a casa, o meu pai disse "Que cheiro é esse?!" Eu respondi "É patchouli. Foi uma amiga minha que me emprestou." E o meu pai, com o nariz e a testa franzidos "É muito ordinário esse perfume - cheira a cocotte!"
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Subscrever:
Comentários (Atom)